Jaguaré quer ser vale do silício de SP
Objetivo do polo tecnológico que será erguido ao lado da Cidade Universitária é aproximar empresas de professores e alunos e permitir que estudos universitários se transformem em produtos e serviços
23/07/2010
Jorge Myslinski Filho
Depois de oito anos de planos, estudos e promessas, o governo estadual iniciou oficialmente ontem as obras do núcleo do Parque Tecnológico de São Paulo - Jaguaré, bem ao lado da Universidade de São Paulo (USP), na zona oeste da capital. A intenção do projeto é criar um grande complexo de inovação e tecnologia na região, o que também deve ajudar a revalorizar áreas que se deterioraram ao redor da Cidade Universitária.
A Secretaria de Estado de Desenvolvimento vai investir nessa primeira fase R$ 10,6 milhões na adaptação de galpões no entorno da Avenida Engenheiro Billings, em uma área de cerca de 46 mil m². O núcleo do parque tecnológico terá três blocos - os dois primeiros vão receber uma incubadora de empresas de base tecnológica, com capacidade para 52 empreendimentos, e o terceiro bloco contará com auditório com 158 lugares. A obra está prevista para ser entregue no primeiro semestre de 2011.
O polo tecnológico permitirá que as empresas tenham maior aproximação com os 5 mil professores doutores e os 40 mil alunos de pós-graduação que circulam pela Cidade Universitária. O núcleo do parque, no entanto, é só o começo. Além de integrar em um mesmo polo entidades como a USP, o Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT), o Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares (Ipen) e o Instituto Butantã, a ideia do governo estadual é construir até o primeiro semestre de 2012 uma Faculdade de Tecnologia (Fatec) do Centro Paula Souza dentro do complexo. A construção está orçada em R$ 21 milhões.
Para completar o parque, outro terreno de 46 mil m² deve ganhar um prédio de 30 andares, construído pela iniciativa privada, para abrigar empresas focadas em tecnologia, pesquisa e inovação.
"Queremos empresas que fomentem a pesquisa e a inovação", diz Luciano de Almeida, secretário de Estado de Desenvolvimento. O governo espera, assim, aproximar as empresas da USP e fazer com que o conhecimento adquirido nos laboratórios seja transformado em produtos e serviços - como ocorreu nos Estados Unidos, com a Universidade Stanford, que deu origem ao Vale do Silício e a boa parcela das empresas americanas de tecnologia da informação.
"Nos EUA, 80% das pesquisas nas universidades
viram produtos e serviços. Aqui, só 20% viram um produto. O projeto do polo
tecnológico é para mudar isso. Precisamos transformar o conhecimento em
riqueza."
(Rodrigo Brancatelli, O Estado de S. Paulo)
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