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12/07/17

Nova classificação aprimora tratamento do sorriso gengival

Baseada em medições de altura e espessura da gengiva, classificação auxilia diagnóstico e cirurgia corretiva.

 

Alguém sorri, mas o que se vê neste momento é uma extensa parte de sua gengiva. Mais do que uma questão estética, este problema que os dentistas chamam de sorriso gengival pode ainda dificultar a escovação. Para simplificar o diagnóstico e a terapia, pesquisa da Faculdade de Odontologia de Bauru (FOB) da Universidade de São Paulo (USP) propõe uma mudança na classificação dos casos de sorriso gengival, com o uso de medições da altura e espessura da gengiva. O trabalho da professora Mariana Zangrando elaborou também um guia para realização das cirurgias corretivas.

“Além de expor uma porção extensa da gengiva”, descreve a professora, “o paciente com sorriso gengival pode apresentar dentes encurtados, que parecem menores ao sorrir”. O tratamento é cirúrgico, sendo capaz de delinear um contorno para a gengiva que facilitará a higiene bucal. Na cirurgia é removido, com base em parâmetros clínicos bem definidos, o excesso de tecido gengival e ósseo, resolvendo tanto a queixa estética quanto a dificuldade de escovação.

As principais causas do sorriso gengival acontecem durante a erupção do dente na boca: são a erupção passiva alterada (EPA) e a erupção ativa alterada (EAA). “Basicamente, a erupção ativa é o movimento do dente de dentro do osso até a cavidade bucal, e a erupção passiva, a movimentação da gengiva até um posicionamento próximo à união entre a coroa e a raiz do dente”, explica a pesquisadora. “Quando há alteração de um ou de ambos os processos, o osso pode ficar muito próximo da coroa, ou então a gengiva ficar muito acima da coroa.”

Hoje, o diagnóstico de ambos os casos é feito com exames clínicos e de imagem. “O paciente é submetido a um completo exame periodontal, isto é, dos tecidos em torno dos dentes. Por meio de uma sonda, são examinados a gengiva e seus componentes. Também são pedidas imagens de tomografia para melhor visualização de todas as estruturas envolvidas”, diz Mariana.

A classificação proposta pela pesquisa considera a associação ou não de erupção passiva alterada com erupção ativa alterada e, com base nas medidas de altura (faixa de gengiva) e espessura da gengiva, define se ela é fina ou espessa.

A classificação inclui quatro diferentes situações clínicas: EPA Tipo I, EPA Tipo II, EPA associada à EAA Tipo I e EPA associada à EAA Tipo II. “A antiga classificação não incluía a denominação erupção ativa alterada (EAA) e também não definia parâmetros métricos”, explica a professora.

“A EPA pode estar ou não associada à EAA. EPA é o ‘excesso’ de gengiva sobre o dente e EAA é a proximidade do osso com a coroa do dente que também ajuda a projetar a gengiva para cima da coroa. O Tipo I é o chamado biotipo espesso e o Tipo II, biotipo fino.”

A classificação foi publicada e considerada destaque pelo número de acessos na Clinical Advances in Periodontics, revista clínica da Academia Americana de Periodontologia (AAP). De acordo com Mariana, a nova classificação permite um diagnóstico mais completo da condição clínica e maior facilidade e confiabilidade no planejamento da cirurgia. No artigo, ela ainda propõe um tratamento específico para cada uma das condições clínicas relacionadas ao sorriso gengival. “Além disso, detalhamos aspectos importantes no planejamento cirúrgico para obtenção de melhores resultados, descrevendo a importância da análise das medidas e da qualidade da gengiva (biotipo periodontal), tipos de incisões na cirurgia (localização, angulação, envolvimento de papilas) e retalhos para cada situação clínica.”

“A divulgação a todos os membros da Academia Americana e assinantes da revista deverá fazer com que ela seja extensamente utilizada”, aponta. A professora ressalva, porém, que ainda são necessários mais estudos sobre o assunto. “Uma análise epidemiológica das diferentes formas de EPA e EAA seria muito importante. Além disso, é preciso fazer pesquisas que avaliem os tratamentos para cada situação clínica em longo prazo e uma melhor investigação dos fatores etiológicos, ou seja, relacionados às causas do sorriso gengival.”

 

Comunicação CNTU
Notícia do Jornal USP

 

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