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25/07/19

Ameaça não está apenas nas lavouras: veneno está nos alimentos e na água das cidades

Com as recentes liberações do governo federal, chega a 290 o número de novos agrotóxicos utilizados no País, que colocam em perigo não somente a vida dos trabalhadores rurais.

 

 

Na última segunda-feira, 22/7, o Ministério da Agricultura aprovou a comercialização de mais 51 tipos de agrotóxicos, somando 290 no total de substâncias liberadas pelo atual governo em 205 dias de atuação desde a posse. Entre as substâncias liberadas está o sulfoxaflor, relacionado em estudos internacionais à redução de abelhas polinizadoras.

 

Já na terça-feira (23), Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou um novo marco regulatório para avaliação e classificação toxicológica dos agrotóxicos. Na prática, essa medida vai mudar o que é informado nas embalagens dos agrotóxicos. Com essa mudança, os rótulos de agrotóxicos vão ter seis tipos de classificação, indo de “extremamente tóxico” até “improvável de causar dano agudo”.

 

Na visão do engenheiro agrônomo e membro da campanha permanente contra os agrotóxicos e pela vida, Leonardo Melgarejo, a Anivsa está sobrevalorizando os riscos da intoxicação aguda e enfatizando os casos de morte, porém, ignorando substâncias que causam danos em longo prazo. “Os produtos que são extremamente tóxicos, mas que não causam morte passam a ser classificados como altamente tóxicos ou moderadamente tóxicos”, ele explica.

 

“Tem produtos que causam, por exemplo, cegueira. Esses produtos hoje, na categoria extremamente tóxicos, têm em suas latas essa informação associada a uma caveira com duas tíbias cruzadas. Qualquer criança vendo aquilo se assusta. Mas, como o produto não causa morte, essa situação deixa de ser informada como extremamente tóxico e o produto pode perder a classificação que tem essa informação (da caveira)”, exemplifica o engenheiro.

 

Isso, ele alega, que se estende a todos os outros tipos de danos que não são associados à intoxicação aguda. E continua: “Algo que pode causar um câncer e matar daqui a 15 anos, ou pode causar Alzheimer, ou linfoma, não causa a morte de imediato, não causa riscos de curto prazo, esses produtos podem ser passados para uma outra categoria que sugere uma maior segurança. Isso, para nós, é extremamente alarmante.”

 

Pesquisa

O consumo de alimentos com agrotóxicos é inseguro para a saúde humana na opinião de 78% dos brasileiros ouvidos pelo Instituto Datafolha, em 4 e 5/7. Para 72% dos entrevistados, os alimentos produzidos no Brasil têm mais agrotóxicos do que deveriam.

 

A preocupação é maior entre as mulheres: 81% delas acreditam que o consumo de produtos com agrotóxicos é inseguro para a saúde. Entre os homens, a taxa é de 75%. A porcentagem de mulheres que acham que há um excesso de agrotóxicos nos alimentos é de 74%, maior do que a de homens, que corresponde a 70%.

 

A crença de que os venenos agrícolas são inseguros ou são usados em quantidades maiores do que se deveria aumenta conforme o grau de escolaridade. Por outro lado, a preocupação diminui conforme a renda aumenta: 79% dos que ganham até dois salários mínimos dizem que agrotóxicos são muito inseguros. Entre os que ganham mais de 10 salários, essa taxa cai para 67%.

 

A desconfiança em relação aos agrotóxicos é maior em capitais e cidades com mais de 500 mil habitantes. Nos dois casos, 74% acreditam que alimentos têm mais agrotóxicos do que deveriam. O índice cai para 69% nas cidades com menos de 50 mil habitantes.

 

Sobre a percepção de que os agrotóxicos impactam apenas nas lavouras, segundo Melgarejo, está totalmente errada, “não apenas porque os estudos vêm mostrando que boa parte dos venenos estão nos alimentos, mas também, principalmente, porque tudo aquilo que você joga no campo vai parar na água”.

 

O especialista ressalta que a Anvisa estabelece a obrigatoriedade de análise da água para apenas 27 produtos no Brasil, sendo mais de 2 mil os comercializados. Nesse sentido, a análise do nível de dano à saúde realizada pelos estados nas águas para as cidades confere “uma noção de segurança falsa, porque os outros mil são sequer analisados”. “Tudo isso vai parar dentro dos organismos. A água que ingerimos tem os agrotóxicos que são aplicados nas lavouras, longe das grandes cidades”, ele enfatiza.

 

Melgarejo vê tais medidas como uma superoferta de venenos no mercado e analisa que, se a justificativa é de que os novos produtos são mais baratos aos agricultores, eles são ainda piores ao consumidor. Ele questiona: “A gente pode imaginar que esses 290 venenos novos são menos perigosos para a saúde do que os antigos. Se isso é verdade, o governo deveria tirar de mercado os venenos anteriores para colocar esses novos. E se eles são piores, é criminoso autorizar seu lançamento.”

 

 

Fonte: Brasil de Fato. 

 

 

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