O ato deu início a uma série de manifestações organizadas pelas centrais, que inclui ainda uma grande marcha nacional da classe trabalhadora, que acontecerá no dia 26 de fevereiro, em São Paulo

As centrais sindicais CTB, CUT, Força Sindical, UGT, Nova Central e CSB realizam nesta quarta-feira (28), o Dia Nacional de Lutas em defesa do emprego e dos direitos trabalhistas. Com manifestações simultâneas por todo o Brasil, os trabalhadores reafirmam que não abrem mão dos direitos e reivindicam medidas que estimulem o emprego e não o retrocesso.
Em São Paulo, onde os presidentes das centrais participaram mais de 5 mil trabalhadores de diversas categorias tomaram a avenida Paulista, fechando uma das pistas. Empunhando bandeiras, faixas e cartazes, os trabalhadores entoavam palavras de ordem em defesa do emprego e contra os ajustes.
O ato deu início a uma série de manifestações organizadas pelas centrais, que inclui ainda encontro com representantes do governo federal, protestos e uma grande marcha nacional da classe trabalhadora, que acontecerá no dia 26 de fevereiro, em São Paulo. As centrais pedem a revogação de duas medidas provisórias editadas pelo governo federal no fim de dezembro que modificam as regras de acesso a benefícios como seguro-desemprego, abono salarial e pensão. Segundo os sindicalistas, as medidas reduzem os direitos dos trabalhadores.
O presidente da CTB, Adílson Araújo, destaca que a presidenta Dilma Rousseff tem os trabalhadores como aliados e que a manifestação é uma reafirmação da pauta apresentada pelas centrais durante a disputa eleitoral. “Da parte do movimento social pressupõe defender a sua autonomia perante o governo e os patrões. O remédio que encontramos é mobilizar os trabalhadores para salvaguardar os direitos e abrir uma perspectiva para que a gente possa conquistar mais”, disse.
Direitos são intocáveis
Adílson comentou a declaração da presidenta Dilma feita durante a reunião ministerial realizada nesta terça (27), de que os “direitos trabalhistas são intocáveis”. “Ao reafirmar esse compromisso, a presidenta traz um ânimo novo à classe trabalhadora. A nossa disposição é exatamente encontrar a chave certa para concluir esse raciocínio. Mas é o governo, mais do que ninguém, que poderá definir se os trabalhadores serão prejudicados ou não”, salientou.
Assim como o dirigente da CTB, durante o ato os representantes das centrais e as lideranças de diversas categorias reafirmaram que o objetivo das manifestações é demonstrar ao governo Dilma que os trabalhadores querem mudanças que promovam avanços nos direitos e garantam o desenvolvimento do Brasil.
Quintino Severo, secretário de finanças da CUT, ressaltou que os trabalhadores não podem pagar a conta daqueles que provocaram a crise. “Temos a legitimidade de ocupar as ruas para defender um projeto de crescimento e desenvolvimento econômico e fazer com que o país não ande para trás”, enfatizou.
Já o presidente da Força Sindical, Miguel Torres, enfatiza que os trabalhadores não aceitam “que se mexa em sequer um milímetro dos diretos”.
“Essa manifestação mostra qual é o caminho para o governo restabelecer o diálogo com os trabalhadores. Temos a esperança de que na próxima reunião, agendada para o dia 3, os ministros vão voltar atrás para que possamos discutir bandeiras que ampliem os direitos, como a redução da jornada e o fim do fator previdenciário”, pontuou o presidente da UGT, Ricardo Patah.
O representante da Nova Central em São Paulo, Luiz Gonçalves, compartilhou do mesmo pensamento, dizendo que é preciso que o governo não apenas revogue as medidas, mas atenda às reivindicações que os trabalhadores fazem desde 2010, após a realização da Conclat. “São documentos que estão protocolados desde o momento da campanha eleitoral e que até agora não foram atendidas”.
O vice-presidente da CSB, Álvaro Egea, espera que as manifestações levem o governo ao caminho do desenvolvimento. “Não vamos aceitar que, para recuperar a economia, coloque-se em primeiro lugar o interesse do capital financeiro”, destacou.
Metalúrgicos da MTP
Trabalhadores demitidos da metalúrgica MTP, empresa do setor de autopeças de Guarulhos, marcaram presença no ato das centrais. A empresa anunciou a demissão de 770 trabalhadores. “Jonas, caloteiro”, gritavam os trabalhadores em referência ao dono da MTP. Isso porque a empresa não pagou os salários, 13º, férias e nem deu início ao processo de recisão dos trabalhadores. A categoria faz um revezamento em frente à empresa para garantir que não sejam retirados o maquinário.
Bancários
O ato em São Paulo não se resumiu à concentração no vão livre do Masp. Cerca de 40 agências bancárias da região da Paulista abriram com uma hora de atraso e também foi dado um “abraço” no prédio da Caixa, organizado pelo Sindicato dos Bancários, contrário à ideia cogitada pelo governo de promover abertura de capital da instituição e cobrando a manutenção do caráter 100% público do banco.
No ABC, região metropolitana de São Paulo, cerca de 4 mil trabalhadores tomaram a avenida Robert Kennedy. “O governo não pode se curvar ao sistema financeiro”, diz Rafael Marques, presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC.
Em Alagoas, a concentração foi no centro de Maceió, capital do estado. A manifestação aconteceu em frente à Delegacia do Trabalho. No Recife, em Pernambuco, oato foi em frente à Superintendência Regional do Trabalho (SRT), e reuniu centenas de pessos.
Na capital gaúcha, Porto Alegre, o protesto bloqueou parcialmente o trânsito de uma das mais movimentadas vias do centro.
Vermelho
Uma iniciativa da CNTU em prol do desenvolvimento nacional e do bem-estar da população.