Dipirona é vetada na UE e liberada no país

Possíveis efeitos prejudiciais do princípio ativo de diversos analgésicos sobre a saúde sanguínea, principalmente das crianças, estão sendo investigados

Depois que a dipirona – princípio ativo de diversos analgésicos – começou a ser amplamente consumida nos países europeus, órgãos especializados do continente questionaram se o seu uso estaria associado ao desenvolvimento de agranulocitose – um tipo de distúrbio sanguíneo – atingindo principalmente as crianças.
 
Esses questionamentos geraram um alerta em todo o mundo. O uso de dipirona é seguro? Segundo explica a chefe do núcleo de notificação e investigação em vigilância sanitária da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), Maria Eugênia Cury, no Brasil, não há nenhuma prova científica de que haja qualquer relação entre o princípio ativo e a doença sanguínea.
 
“Essa relação tem características regionais”, afirmou Cury. Ela destaca as diferenças étnicas nas populações como uma das razões que fazem com que os organismos reajam de modo diferente.
 
A executiva conta que, após os questionamentos da Europa sobre os riscos do medicamento, foram desenvolvidos diversos estudos sobre o assunto. Um deles, em especial, analisou a incidência e os fatores de risco para agranulacitose em países latino americanos. As conclusões foram reveladoras: a taxa de incidência da doença em países europeus aumenta quando a dipirona é utilizada, enquanto nas populações dos países da América Latina, essa taxa cai.
 
“Não tem significância estatística provada para a relação entre dipirona e a doença nos países latinos. Já na Europa, os órgãos responsáveis entenderam que existe um risco na utilização da dipirona, por isso tiraram o produto do mercado”, enfatizou Cury. (VD)
 
Contexto 

Os medicamentos analgésicos podem ser classificados como opioides e não-opioides.
 
Os primeiros modulam a transmissão do estímulo doloroso. Um exemplo de opioide é a morfina. Os não-opioides, por sua vez, inibem a produção das substâncias que transmitem a dor, mas as pesquisas ainda são inconclusivas sobre seu mecanismo exato de ação. Dentre os medicamentos mais conhecidos dessa classe estão o paracetamol e a dipirona. Os não-opioides são um tipo de OTC.

Valor Econômico

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