Trabalhadores e empresários criticam pesquisa de ‘mercado’

O Banco Central (BC) consulta toda semana de 90 a 100 instituições sobre as expectativas delas para inflação, crescimento econômico e taxas de juros, entre outros assuntos e é influenciado pelas respostas

Com poder de influenciar decisões do Banco Central sobre taxa de juros, pesquisa semanal com ‘mercado’ é alvo de críticas de trabalhadores e de empresários do setor real da economia, que pedem mudanças. BC diz que levantamento é importante, não muda e que qualquer um pode aderir. Em dez anos, entrevistados já acertaram 75% das apostas sobre juros.

O Banco Central (BC) consulta toda semana de 90 a 100 instituições sobre as expectativas delas para inflação, crescimento econômico e taxas de juros, entre outros assuntos. É uma pesquisa que dá poder aos entrevistados. Suas respostas influenciam decisões do BC como, por exemplo, juros.

Por isso, trabalhadores e empresários defendem mudanças no levantamento. Mas o BC discorda e diz que o modelo atual é importante e segue padrão internacional.

O presidente da Central Única dos Trabalhadores (CUT), Artur Henrique, afirma que ninguém é mais “mercado” – em tese, o setor de cuja opinião o Banco Central está atrás nas pesquisas semanais – do que a entidade sindical dele.

“Eu tenho sete milhões de trabalhadores na CUT, como é que eu não sou mercado?”, questiona Artur, que gostaria de ter seu ponto de vista levado em conta pelo BC.

Além de pedir modificações no levantamento, conhecido como Focus, a CUT reivindica também um novo modelo para o Conselho Monetário Nacional (CMN).

Formado pelos ministros da Fazenda e do Planejamento e pelo presidente do BC, o Conselho define, por exemplo, a meta de inflação que o banco persegue. É uma reivindicação que vem desde o governo Lula, sem sucesso.

O presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Paulo Skaf, é outro que condena o formato e o poder da pesquisa. “Há muito tempo que o mercado montou uma rede de proteção social que só defende o valor da moeda”, afirma Skaf. “É preciso acabar com essa ditadura do Focus.”

Para os críticos da pesquisa, uma evidência do poder do “mercado” estaria no nível de acerto – que os críticos acham “capitulação” – sobre as decisões do BC quanto a juros. O levantamento tem o formato atual desde 2001.

De lá para cá, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central já sentou 74 vezes para discutir se mexia ou não no juro. A pesquisa acertou o resultado na mosca em 75% dos casos.

“Antes do Copom, há sempre uma ofensiva especulatória dessa pesquisa Focus”, diz a senadora Gleisi Hofman (PT-PR), da Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado.

Para o presidente do BC, Alexandre Tombini, no entanto, a pesquisa é importante, segue padrão observado em outros países e não passará por “qualquer mudança”.

Segundo o BC, qualquer entidade pode participar da pesquisa, desde que mantenha, de forma permanente, um departamento de análises econômicas. (André Barrocal, Carta Maior)

Biblioteca CNTU

Um espaço para você encontrar facilmente informações organizadas em apresentações, artigos e publicações.

Próximos Eventos

Brasil Inteligente

Imagem CNTUUma iniciativa da CNTU em prol do desenvolvimento nacional e do bem-estar da população.