Presente e futuro do BRICS em debate na SBPC

Fatos como o plebiscito na Grécia, o Novo Banco de Desenvolvimento (NBD) e a 7ª. Reunião de Cúpula do BRICS devem repercutir no debate que reunirá três especialistas em questões internacionais

 

A Reunião Anual da SBPC vai discutir “O Papel e as Perspectivas do BRICS no Mundo Contemporâneo”, com a participação de três grandes especialistas em questões internacionais, Samuel Pinheiro Guimarães, embaixador e professor do Instituto Rio Branco; Paulo Borba Casella, professor de Direito Internacional da Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo (USP); e José Eduardo Cassiolato, professor do Instituto de Economia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Eles conhecem bem a criação e o desenvolvimento desse foro de cooperação política, formado pelo Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul.

A Mesa Redonda será realizada em 14 de julho, terça-feira, de 15,30 às 18h, no AT 07, Sala 162, Anfiteatro térreo da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), São Paulo.

Ela será coordenada por José Monserrat Filho, mestre em Direito Internacional, Diretor Honorário do Instituto Internacional de Direito Espacial, Membro Pleno da Academia Internacional de Astronáutica e atual chefe da Assessoria de Cooperação Internacional da Agência Espacial Brasileira (AEB). O debate poderá ter o impacto de pelo menos três importantes acontecimentos:

1) A esmagadora vitória, no plebiscito na Grécia, do “não” ao plano de mais austeridade apresentado pela União Europeia, Banco Central Europeu e Fundo Monetário Internacional (FMI), um fato de repercussão global;

2) A sessão inaugural do Novo Banco de Desenvolvimento (NBD) dos BRICS, nesta terça-feira, dia 7 de julho, em Moscou. O NBD, que começa com US$ 100 bilhões, entrará em funcionamento dentro de 30 dias, ou seja, no início de agosto. Segundo a imprensa, não se exclui a possibilidade de a nova instituição financeira prestar alguma assistência à Grécia, o que poderia causar um abalo não só na Europa, mas em todo o mundo;

3) A 7ª Reunião de Cúpula do BRICS, que terá lugar logo a seguir, na quarta e na quinta-feira, 8 e 9 de julho, na cidade de Ufa, na Rússia, quando, ainda em meio à festa de instalação do NBD, serão tratados assuntos econômico-financeiros do grupo.

Concebido em 2008, o BRICS começou como BRIC e, em 2012, tornou-se BRICS com o ingresso da África do Sul. Desde 2009 já promoveu seis Reuniões de Cúpula, com a presença de todos os seus Chefes de Estado e/ou de Governo.

Segundo o Itamaraty, o NBD “contribuirá para promover a estabilidade financeira internacional”, tendo como objetivo “prover recursos temporários aos membros do BRICS que enfrentem pressões em seus balanços de pagamentos. (…) O mecanismo também reforçará a confiança dos agentes econômicos e financeiros mundiais e mitigará o risco de contágio de eventuais choques que possam afetar as economias do agrupamento”.

Para Paulo Borba Casella, a perspectiva BRICS de cooperação “pode significar mutação de alcance mundial”. Seus países membros “podem gerar e se beneficiar de modelo novo, e sem precedentes de gestão de interesses compartilhados – quer nas relações entre estes, como em relação ao mundo exterior”. “A efetividade de laços, que entre estes países se construa, pode alterar o equilíbrio mundial, em fase, como a presente, na qual esse equilíbrio mundial se vai redesenhando”, afirma ainda Casella.

Affonso Ouro Preto, ex-Embaixador do Brasil na China, atual Presidente do Instituto de Estudos Brasil-China e membro do Grupo de Análise da Conjuntura Internacional do Instituto de Relações Internacionais da USP, considera o BRICS um “foro importante de contato de grandes países emergentes, que compartilham interesses frente aos países ricos e que contemplam o fenômeno do multilateralismo de maneira positiva” (“Brasil e China no Reordenamento das Relações  Internacionais: Desafios e Oportunidades”, Fundação Alexandre Gusmão, 2011).

Paulo G. Fagundes Visentini, professor de Relações Internacionais da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e um dos autores do livro “BRICS – As Potências Emergentes” (Vozes, 2013), salienta que “os membros do BRICS são ou aspiram ser membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU e, mais do que possuir determinado volume de território, população e PIB, possuem forte impacto regional e projeto nacional relativamente autônomo”.

O debate da SBPC sobre o BRICS tem tudo para despertar enorme interesse entre os jovens.

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