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04/02/10

Como o brasileiro vê o Brasil

A 100ª sondagem da CNT/Sensus traz tantas outras informações interessantíssimas sobre as opiniões populares acerca de diversos temas e sobre o perfil do próprio brasileiro, que é de se lamentar a pouca a

Muito se falou na imprensa da 100ª Pesquisa CNT/Sensus, divulgada na segunda-feira. Como era de se esperar, contudo, quase todo o foco se dirigiu às efêmeras intenções de voto para a próxima eleição presidencial. Uma rara exceção a essa atenção quase que exclusiva à enquete eleitoral foi a ótima coluna de Raymundo Costa, publicada noValor na terça-feira, analisando os dados da pesquisa relativos ao sindicalismo e ao associativismo no Brasil. Evidentemente, não se trata aqui de menosprezar a novidade da última pesquisa de intenção de voto, sobretudo por esta mostrar um até então inédito empate técnico entre a candidata governista e o principal postulante da oposição. Ocorre, porém, que a 100ª sondagem da CNT/Sensus traz tantas outras informações interessantíssimas sobre as opiniões populares acerca de diversos temas e sobre o perfil do próprio brasileiro, que é de se lamentar a pouca atenção dada ao resto do levantamento, ofuscado pela última efeméride da corrida presidencial.

Uma das informações mais interessantes sobre como os brasileiros veem o Brasil concerne à confiança que as pessoas têm em algumas instituições - Forças Armadas, imprensa, Justiça, governo, polícia, serviço público e Congresso Nacional. Aos cidadãos entrevistados pela pesquisa foi perguntado sobre o grau de confiança que tinham nelas. Se considerarmos, de um lado, como "confiança nas instituições" a soma daqueles que responderam "confiar sempre" ou "confiar na maior parte das vezes" e, de outro lado, como "desconfiança das instituições", a soma dos que afirmaram "confiar poucas vezes" ou "não confiar nunca", vemos que na comparação entre o atual grau de confiança nas instituições e aquele medido em setembro de 1998, tivemos melhoras em todos os casos - com a única e lastimável exceção do Congresso Nacional.

O campeão de melhora no período é o governo (a confiança aumentou 21,8%) - algo certamente relacionado à elevada popularidade da administração Luiz Inácio Lula da Silva, também apontada pela pesquisa. Logo depois vêm as Forças Armadas e a polícia, com melhoras na confiança de 18,4% e 13,7%, respectivamente. Também são significativas (com variação bem superior à margem de erro) as melhoras da imprensa (9,7%), do serviço público (8,5%) e da Justiça (7,7%). Nossos parlamentares, por outro lado, lograram o feito de fazer com que a já reduzidíssima confiança no Congresso Nacional caísse mais 4,6%, reforçando sua condição de instituição brasileira na qual menos se confia - dentre aquelas elencadas na pesquisa, claro. Ao fim, temos algumas razões para comemorar, pois se a confiança do brasileiro nas instituições aumentou, isto indica que a percepção popular sobre seu desempenho melhorou. E se a percepção popular sobre as instituições for bom mensurador de seu funcionamento efetivo, é provável que tenhamos experimentado uma melhora no funcionamento de nossas instituições na última década - com a notável exceção do Legislativo federal.

Os números relativos à confiança nas instituições são congruentes com outras revelações da pesquisa. Ao aumento da confiança no Serviço Público, por exemplo, corresponde uma melhora na avaliação de sua qualidade: em abril 2006 nada menos que 51,6% dos cidadãos consideravam os serviços públicos ruins, hoje somente 37,8% têm essa avaliação; a avaliação de que esses serviços são bons subiu de 9,9% para 16,0%, e de que são regulares de 30,2% para 43,5%. Por outro lado, a redução da confiança no Congresso parece corresponder ao aumento da percepção de que hoje há mais corrupção no país: 56,0% dos brasileiros acreditavam, em setembro de 1998, que a corrupção estava aumentando; agora esse número é de 69,4%.

Todavia, o aumento da insatisfação dos brasileiros com a corrupção e com os impostos é exceção num cenário em que, além dos serviços públicos, melhorou a avaliação de vários outros aspectos da vida pública brasileira: trabalho, cidade onde se mora e auto-estima nacional. Quanto a este último aspecto, parece que vem sendo superado o "complexo de vira-latas" a que se referia Nelson Rodrigues: hoje 48% dizem que a satisfação com o país vem crescendo (contra 15% em março de 1998) e 52,8% dizem que o orgulho de ser brasileiro tem aumentado (contra 26% em setembro de 1998). Estes são resultados impressionantes, pois a satisfação com o país mais do que triplicou e o orgulho nacional dobrou, note-se. Voltando à questão eleitoral, este "bom-humor" com o país tende a ser favorável ao governo no próximo pleito, pois as críticas mais ácidas dos opositores tendem a ser percebidas como um antipático discurso de estraga-prazeres num momento em que o país se reconcilia consigo mesmo. O saber convencional das disputas eleitorais ensina que "quem bate, perde"; e isto é ainda mais verdadeiro para oposicionistas num cenário de otimismo nacional e popularidade alta do governo.

Mas nem tudo são flores: apesar da recente melhora da confiança nas instituições ser considerável, não nos iludamos. Apenas as Forças Armadas contam hoje com uma confiança que supera largamente a desconfiança (42,4% de saldo positivo). No caso da imprensa, segunda instituição mais confiável, confiança e desconfiança apenas empatam. Das demais instituições, desconfia-se muito mais do que se confia. Neste confronto, quem apresenta o menor saldo negativo é o Governo: -19,2%; num empate técnico estão a Justiça: -23,3%; a Polícia: -24,3%; e o Serviço Público: -25,5%. O campeoníssimo da desconfiança popular, evidentemente, é o Congresso Nacional: -58,6% de saldo devedor, sendo a única instituição para a qual o "não confia nunca" supera o "confia poucas vezes" (45,5% contra 32,4%), evidenciando todo o desprestígio de nossa classe parlamentar.

Enquetes riquíssimas como essa 100ª CNT/Sensus merecem ser olhadas para além dos mais do que provisórios indicadores de intenção de voto - ainda mais a esta distância do pleito. Os números, que variam menos ao sabor das conjunturas, ajudam-nos, inclusive, a compreender melhor a dinâmica da disputa eleitoral. A síntese do levantamento, com todos estes dados a que aludi aqui, pode ser acessada pelo link -www.cnt.org.br/portal/img/arquivos/Relatorio%20Sntese.pdf . Boa leitura.

 (Coluna de Cláudio Gonçalves Couto, no Valor Econômico de 4/fev)



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